30 de abril de 2012

paredes modelam portas
não dominam o que comportam

fachadas descaradas
fechadas criaturas
entreabertas
encostadas

em parafuso
fechaduras
engolem segredos

chaves perdidas

4 de março de 2012

26 de fevereiro de 2012







Almas LUPAS: Para habitar o Albergue das Almas Lupas o pré-requisito é a sabedoria. Nele, somente os mestres. Sábios em diminuir grandes feitos e aumentar pequenos sentimentos.
Almas VIP'S: Almas Vip's são dotadas de renomada importância. Para esse Albergue o que conta é o currículo bancário. Também é preciso saber cozinhar cifrão com divulgação de egos, e ainda servir taças de elogios aos equivocados.
Almas DESERTAS: Nos Albergues Almas Desertas é preciso que a língua tenha capacidade de queimar. Tal habilidade, considerada mágica, quando utilizada na hora certa, tem alto poder de destruição de sonhos. São especialistas no que fazem, destemidos e aventureiros. Há um porém: são letais somente aos coração puros.
Almas EM CONSTRUÇÃO: Nestes Albergues, os alicerces estão em solo firme, todavia sua estrutura não tem força suficiente para resistir aos ventos aliciadores. Sendo assim, vivem meio lá e cá. São considerados bons, para breve estadia, nos dias em que o prato principal seja o aprendizado.
Almas PÁSSAROS: São Albergues tomados por habitantes libertos das aparências, simplesmente amam e acolhem todos que desejam compartilhar do voo. Para eles a vida é voar com asas de desapego e num céu passageiro. Desfrutam com o mesmo entusiasmo, dias de sol ou de chuva.

Almas são Albergues. Em qual te acolhes?

(Roselaine Funari, outono de 2009.)

23 de fevereiro de 2012

9 de fevereiro de 2012

4 de outubro de 2011

LEITURA

Tua saliva
me livra

(sumário aberto)

teu fim
no meu início
meu finalmente
no teu cio

(leitura)

a língua no dedo
o dedo no prelo
e nosso prazer
prestes a ser publicado

25 de julho de 2011

22 de fevereiro de 2011

noite


gira sol
à procura de luz
vidra na lâmpada

gira só
embriagado
pela insônia
da casa

13 de janeiro de 2011

sorte
é não escutar
o teu pulso
de monótono discurso

é não me encostar
neste teu muro de retalhos
nem alcançar a lágrima
que foge de ti

minha sorte
é não beber do teu lago
nem pisar na tua sombra

esta distância
me refaz

sorte minha

2 de janeiro de 2011

2010 no 2011

tudo continuará
no poema que resiste ao calendário
pois o tempo não insiste à poesia
não esquece nem lembra dos quereres
início meio e fim são limites que não cabem ao verso
não há felicidade nem tristeza na plenitude do poeta

21 de dezembro de 2010

É preciso dormir o sono das bulas?
É preciso sorrir a graça das drogas?
É preciso andar de mãos dadas com o copo?

É preciso acreditar em Deus pra tomar morfina.

É preciso?